VIVER PELO MUNDO É FACIL

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Quem disse que viajar sozinho é ruim?

Sabe, muita gente me pergunta se pelo fato de passar muito tempo fora em outros países, eu não sinto falta da minha casa, dos meus amigos e familiares e se espantam quando digo que viver pelo mundo é fácil.

A verdade é que aprendi a conviver com essa ausência através de compensações e de algumas atitudes que diminuem a distância e me tornam sempre próxima das pessoas que amo e vice-versa.

Falando com a família e amigos, sempre!!!

Você não precisa estar perto de alguém para se fazer presente

Muitas vezes um bom bate papo por vídeo no Skype ou a simples troca de mensagens com frequência lhe torna mais participativo na vida dos amigos e familiares.

Até porque, o fato de estar distante faz com que você se cobre mais em termos de dar atenção e de fazer contato e é essa qualidade de contato que importa, não a quantidade.

Fazendo uma breve reflexão dos últimos meses, percebo que durante todo o tempo em que estive fixada em minha residência, poucas vezes tirei parte do meu tempo para realmente dar atenção aos meus amigos.

A correria do dia a dia que nos imobiliza.

Meu tempo era muito consumido no trabalho e demais afazeres do dia a dia, assim como muitos de vocês que estão lendo esse post, creio eu, portanto, é compreensível que tenhamos uma certa tendência em nos culpar por não estar presente junto aos amigos e familiares nesse ou naquele momento.

O que temos que ter em mente é que quando decidimos sair da nossa zona de conforto e viver pelo mundo, seja por curto ou longo período, algum custo isso irá trazer e neste caso não falo do custo financeiro.

Eu também sinto saudade

É claro que sinto falta dos amigos, da nossa família, ate mesmo de coisas como o cheiro do churrasco que vem da casa do vizinho no domingo (quem nunca sentiu que atire a primeira farofa)

Penso que, o mais importante nisto, não é exatamente o que estaremos deixando pra trás, mas o que iremos encontrar pela frente.

O cheiro do churrasquinho é de matar qualquer um…

Não há como se adquirir novas experiências que irão ampliar seu conhecimento, expandir seus horizontes e te dar um novo olhar sobre o mundo, se você permanecer preso as suas raízes como uma árvore que não pode sair do lugar.

Outra pergunta curiosa que sempre ouço é como eu e meu marido conseguimos passar tanto tempo somente nós dois.

Aos olhos da maioria, isso parece ser uma missão suicida (kkk) ou mesmo um fator de estimulo para desgastes entre o casal.

Aprendemos a ser uma excelente companhia pra nós mesmos

Confesso que vemos esta situação de uma forma bem diferente e tranquila, pois realmente apreciamos muito a companhia um do outro e sempre fizemos tudo juntos.

Entendemos essa nossa nova forma de vida minimalista como algo definitivo em nossas vidas. Nao queremos que essa experiência de viver pelo mundo acabe tão cedo!

O que quero dizer com isso é que se tivermos que discutir por esse ou aquele assunto, tanto faz se estaríamos no Brasil, na China ou em Serra Leoa!

Ninguém jamais resolverá nossos problemas senão nós mesmos, por isso nunca permitimos interferências em nossa vida (tem dado certo!)

Ampliando o circulo de amizades

Fazendo amigos em qualquer parte do mundo.

Deste modo, não podemos ser dependentes de nossas amizades e muito menos restringir esse ciclo de amigos aos que já existem.

Entender culturas, conhecer lugares diferentes e outros modos de vida também inclui se socializar.

Desta forma, já fizemos vários amigos desde que decidimos viver pelo mundo, amigos que permanecem em contato constante conosco e posso dizer que desde a China até a Alemanha!

Para nós não há raça, cultura ou religião que nos afaste de boas amizades

Um exemplo gratificante disto foi em nossa viagem para Eslovênia, onde avistei uma chinesa sozinha comprando seu bilhete na rodoviária de Ljubljana.

Por estarmos na mesma fila, trocamos algumas palavras em inglês e nos despedimos

Um pouco mais tarde, nos encontramos novamente por acaso na praça e daí surgiu um bate papo agradável sobre os dois países, as curiosidades de cada um e tudo mais. Prometemos visitá-la em Hong Kong e trocamos contatos.

Fazemos amigos de verdade e para sempre….

Resumo da ópera: um ano depois estávamos aterrissando em HK para uma temporada incrível com nossa nova amiga, que muito gentilmente fez questão de nos mostrar todas as peculiaridades daquela ilha, seus pontos turísticos e como vivem os honkongueses.

Conhecemos seus amigos e parentes e ela até já veio nos visitar em outro destino e sempre nos falamos.

Enfim, uma nova amizade que atravessou continentes!

Em nosso watzapp temos amigos da Eslovênia, Croácia, Alemanha, Argentina, Portugal e em vários outros lugares, o que só reforça nossa tese de que um núcleo de amizades não é somente para ser mantido, e sim para ser ampliado.

Cozinhar, uma das coisas que mais fazemos durante a viagem.

Uma vida de rotina mesmo em viagem

Nosso dia a dia funciona como o de que qualquer casal normal; onde chegamos fazemos dali nossa casa, com rotina de supermercado, feirinha, limpeza doméstica, enfim, um dia a dia comum.

Não nos sentimos mais turistas na expressão pura da palavra.

É claro que fazemos uma programação natural que um turista faz: visitamos pontos de interesse, tiramos muitas fotos e provamos aquilo que nos é recomendado.

Passeando pelos destinos

Nosso único “absurdinho” de consumo é comprar nossos pratos decorativos de cada lugar (souvenir que elegemos para colecionar), embora estejam todos encaixotados esperando o dia em que teremos “uma parede para chamar de nossa”.

Mas, passado o momento inicial da chegada, a vida ganha sua rotina absolutamente normal como se estivéssemos em nossa casa e isso significa que nem tudo é passeio e restaurantes. Mas não mesmo!

Aliás, restaurante se torna programação de fim de semana e terminamos sempre elegendo aquele que passa a ser nosso “boteco favorito” (na minha terra chamamos carinhosamente de pé sujo haha)

Já conheço os pontos turísticos, o que faço agora?

Aproveite para descobrir o que gosta de fazer e nunca teve tempo. Este é um grande momento!

Agora é vida do dia a dia! E foi assim que descobri coisas que gosto de fazer e nem sabia, como por exemplo escrever!

A leitura sempre foi um hobby tal qual os filmes e séries, mas escrever foi algo que descobri gostar de fazer depois das viagens.

Não me refiro somente a escrita publicada aqui no site (que é algo recente), mas também histórias que escrevo com temática de drama e romance para o público jovem.

Podem apostar, descobrir coisas que te dão prazer em fazer em sua própria companhia é bem gratificante.

Não importa se é algo relevante para o “desenvolvimento da sociedade”, o importante é exercitar a mente, a criatividade e sobretudo, se divertir!

Cedo ou tarde, ha sempre um bom motivo para se aprender algo novo.

Meu marido por exemplo, faz aulas de inglês, violão, tudo via internet.

Fazemos caminhadas diárias e ainda por cima ganhamos o beneficio de nos livrarmos da programação de tv (oh glória!).

Notícias e informações relevantes, buscamos sempre nos canais confiáveis da internet e com isso reduzimos muito nossos níveis de tolerância para certas coisas que nos empurram goela abaixo.

Chega de alienação!

Muitas vezes, por estar vivendo numa “matrix” você não percebe sequer que tem opção e vida inteligente lá fora e termina por seguir o fluxo abominável das telenovelas e das programações alienantes.

Isso pra não falar dos programas que debatem temas onde ninguém pode dizer o que realmente pensa porque não seria politicamente correto e ainda tem aqueles em que todo mundo fala ao mesmo tempo e ninguém entende nada!

Fugindo da mesma mesmice de sempre

Por essas e outras prefiro meus livros e filmes que, por sinal, assisti a vários deles justamente por terem sido filmados em locais que estava prestes a conhecer ou abordavam determinada cultura que me interessava.

Infelizmente em tempos de refilmagens e super-heróis, poucas produções inovadoras ou realmente impactantes têm chegado ao mercado.

Um dos nossos melhores passatempos quando estamos em casa.

Nada contra os super-heróis, muito pelo contrário (adoro X-Men), mas o excesso de um mesmo gênero me faz acreditar que a época dos filmes que ficavam em nossa mente 2, 3 dias acabou!

Por isso invariavelmente recorro a filmes não tão novos na esperança de topar por acaso com um coração valente! Produções de outros países também são muito bem vindas, fora do universo de Hollywood.

Aliás, se você gosta de filmes e livros, vou ter um prazer enorme de te dar alguma dica sobre o que considero inesquecível e obrigatório assistir antes de morrer haha, deixa seu comentário e pede sua dica dentro do gênero que você gosta ok?

Não sou nenhuma crítica de cinema não, apenas gosto de compartilhar coisas boas que já vi e li.

Mas afinal, quando iremos sossegar em um lugar?

Isso é uma boa pergunta para a qual somente o tempo poderá responder.

A nossa intensão é conhecer um pouco mais de algumas culturas, mas não sabemos se esse “pouco mais” levara  3, 5 ou 10 anos

Ainda temos muita estrada pela frente…

Ate o momento estamos muito felizes com as descobertas e experiencias que temos adquirido.

Isso tem nos transformado bastante e essa transformação tem nos feito cada dia mais felizes, e, quando se está num estágio como este, é muito difícil prever o momento de parar.

Levei muito tempo dedicada ao trabalho, a estruturação da família, e porque não dizer, a um sistema de vida voltado ao ter, muitas vezes esquecendo de priorizar o ser.

As boas coisas da vida são mais simples do que imaginamos.

Me via presa a alguns valores sem poder conhecer essa sensação de plena liberdade, de desprendimento, de paz interior que não há dinheiro que pague.

Poder desfrutar dessa liberdade sem amarras, estar apto a se adaptar em situações adversas e inesperadas, tudo isso é uma superação que sempre vira uma história para contar.

O desapego é um exercício diário e necessário.

Entender que eu tinha muito mais do que precisava foi fundamental para o exercício do desapego.

Mas não se iluda, esse é um exercício que precisa ser feito todos os dias de nossas vidas, porque somos humanos e está em nossa natureza o desejo e o consumo.

Parar de desejar o que não se tem e passar a amar o que já conquistou, é o primeiro passo para a satisfação pessoal.

Isso é que é vida!!! kkkkk

Não digo com isso que devemos eliminar por completo nossos desejos, o que digo é que devemos administrá-los para que eles não sejam maiores do que todas as coisas boas que já conquistamos.

Hoje vivo sem duvidas o melhor momento da vida e não tenho pressa em abreviar essa fase maravilhosa.

Portanto, vamos deixar esse assunto sobre quando parar, para um outro post que espero estar ainda distante kkk!

Entre no comentário do post e deixe sua impressão ou dúvidas, teremos uma grande alegria em responder.

 

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